Fim sem turbulências

Por Hanna Carvalho, Nathalia Barbosa e Ricardo Porto

O último dia de INTERCOM Sudeste foi marcado pela baixa circulação de pessoas no campus da Praia Vermelha. As atividades previstas ocorreram sem muitos transtornos e foi notável a preferência dos congressistas pelo EXPOCOM.

Por ser um sábado, sem atividades dos outros cursos no campus, os poucos presentes estavam concentrados no entorno da Escola de Comunicação. Ainda sim, ela tinha corredores vazios, com pouca movimentação. As atividades acumularam-se nas salas da CPM, onde foram apresentados a maioria dos trabalhos do EXPOCOM. O espaço disponibilizado ficou pequeno para a quantidade de pessoas interessadas nas apresentações e, assim, alguns não conseguiram assistir ao que queriam.

Enquanto isso, as salas onde aconteciam as DTs tinham muitos lugares vagos. Ainda que desprestigiasse os trabalhos apresentados, o número reduzido de espectadores permitiu um maior debate, aprofundando a discussão, o que foi muito válido.

Ao contrário dos outros dias, as apresentações ocorreram sem grandes atrasos ou problemas técnicos relevantes. Segundo Kenzo Soares, bolsista do PET ECO, programa responsável pela organização do EXPOCOM, “tudo ocorreu tranquilamente. Demos 10 minutos de tolerância para o começo e precisamos de mais 5 para alguns ajustes técnicos”.

Ampliando o olhar para além das salas de apresentação, pôde-se perceber a grande quantidade de malas espalhadas pelo Palácio Universitário. Essa é a imagem que marca o fim do INTERCOM Sudeste e a despedida dos congressistas da Cidade Maravilhosa.

Dois opostos na realidade do Intercom

por Hanna Carvalho, Marianne Teixeira e Ricardo Porto

A segunda tarde do Intercom Sudeste, no dia 8 de maio, veio mais tranquila que a anterior. Um maior tempo para análise da programação permitiu a escolha prévia pelos congressistas das apresentações que desejavam assistir. Ao chegar no campus, entretanto, depararam-se com uma série de problemas que dificultaram, mais uma vez, o total aproveitamento do evento, como salas trancadas, a ausência de palestrantes e a falta de pessoas preparadas para operar os computadores e equipamentos.

Foi o que aconteceu, por exemplo, na Sessão 18, de Comunicação Audiovisual. Já em outras salas, a reclamação dos ouvintes era do alto nível técnico das apresentações, direcionadas apenas para a compreensão do avaliador, gerando uma grande dispersão dos espectadores. Esses problemas, também presentes nas apresentações do dia anterior, foram recebidos sem nenhuma surpresa por alguns dos presentes.

"Nem mesmo cheguei a alimentar expectativas sobre o evento", desabafa a aluna do 1º período de Comunicação Social da UFRJ, Camila Romana.

Por outro lado, em outras apresentações, houve um bom andamento dos trabalhos, com debate constante por estarem relacionados a temas mais interessantes ao público, relacionados à sociedade em geral. Na sessão 15, "Comunicação, Espaço e Cidadania", por exemplo, houve grande interação dos participantes, o que deixou os palestrantes mais à vontade na hora de suas apresentações. A infra-estrutura também foi outro ponto positivo, pois, apesar de lugares muito diversificados, a maioria deles eram amplos e confortáveis.

Para outro aluno de Comunicação Social da UFRJ, Saulo Pereira, a experiência do Intercom foi muito importante.

"Esses dias de apresentações me ajudaram a amadurecer a idéia de como montar um trabalho científico", disse.

Os exemplos de pesquisas vindas dos quatro estados do Sudeste possibilitaram uma visão diversificada das regiões, dentro dos temas específicos de cada sessão. No entanto, o encontro ainda não terminou e as oficinas da noite eram esperadas por seus inscritos, assim como o Painel "Revoluções na Comunicação: Midialivrismo, o Copyleft e as Redes", que também era aguardado com ansiedade pelos congressistas.

Expocom: integração e aprendizagem

por Camille Perissé e Ricardo Porto

Nesta quinta-feira, dia 07, o Intercom Sudeste deu início a apresentação de trabalhos com alguns atrasos e uma leve desorganização, comum a qualquer grande evento. A Expocom ocorreu sem maiores transtornos, com a apresentação de trabalhos das mais diversas faculdades de Comunicação existentes na região Sudeste.

Apresentações simples e complexas, por vezes com um pouco de nervosismo por parte dos palestrantes junto aos olhares atentos dos avaliadores foram aspectos comuns presentes nas salas de aula que abrigaram o evento. Mesmo algumas tendo sido mais assistidas que outras, os trabalhos, em grande quantidade, atendiam a todos os estilos, desde mostras de fotografias até a apresentação de filmes e jornais-laboratórios feitos por estudantes de jornalismo.

A presença de pessoas de diferentes estados foi um dos principais pontos que garantiram o sucesso do evento. “Essa interação entre colegas de outras localidades é muito importante para a troca de experiências e para ampliar a nossa visão de mundo”, diz Isaac Ramiris, estudante do 3º ano da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Para os avaliadores, a expectativa para o Expocom é boa e eles reconhecem ainda a importância desse evento para o mercado de trabalho futuro.

“Espero ver quais são os critérios de avaliação e de qualidade nas pesquisas de mercado. O que o mercado está pedindo, o que está caindo, as metodologias... É bom também conversar com avaliadores que tenham um olhar que vai além dos critérios estabelecidos”, diz Tererezinha Moraes, professora de Publicidade e Relações Públicas da PUC-Campinas e avaliadora do evento pela primeira vez.

Com apresentações de curtas de ficção e não-ficção, o Expocom encerrou seu primeiro dia com alguns atrasos, com a aprovação dos participantes e a garantia da presença deles no segundo dia.

Jornalismo é o Caldeirão!

por Hanna Carvalho e Ricardo Porto

O pré-evento do Intercom Sudeste 2009, o seminário “O que ameaça a liberdade de imprensa no Brasil? E quem a imprensa ameaça?”, aconteceu nesta quarta-feira, dia 06, fno Fórum de Ciência e Cultura do campus da Praia Vermelha da UFRJ. O Ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, a jornalista Elvira Donato e o cientista político Guilherme Canela (UNESCO), entre outros, discutiram a questão da liberdade de imprensa no Brasil. A revogação da Lei de Imprensa, o projeto de extinção do diploma de jornalista, o direito de resposta e a briga judicial entre a Igreja Universal e a Folha de São Paulo foram alguns dos temas discutidos pelos participantes.

A mesa, mediada pelo desembargador Siro Darlan, começou com o discurso de Canela. Segundo ele, em uma democracia mais consolidada, como seria o caso da brasileira, as pessoas tendem a esquecer a gravidade de qualquer tipo de intervenção à liberdade. Para exemplificar o que ele chamou de abusos da imprensa, Canela citou casos conhecidos, como o da Escola Base e o da menina Isabella.

Júlio César Pompeu, professor da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), arrancou risos da plateia ao questionar a existência de uma sociedade homogênea e a definição de mídia como um “quarto poder”.

“Quem vamos sacanear hoje? Se não sacanear, não temos matéria!”, alfinetou Pompeu ao explicar como os jornalistas são pautados hoje.

Sem se pronunciar sobre as “piadinhas” do seu colega de mesa, Elvira Lobato, da Folha de São Paulo, explicou a origem da briga judicial entre o jornal e a Igreja Universal, que acrediita ser um caso de cerceamento da liberdade da imprensa. Suas reportagens sobre a igreja provocaram uma série de denúncias e ainda hoje ela responde por ações na Justiça, que, segundo ela, são feitas com o objetivo de castigar e intimidar o jornalista.

Sem o intervalo planejado, por conta da falta de tempo, o debate continuou com a fala de Gustavo Gindre, do Intervozes. Ao afirmar que o maior vendedora de livros hoje é a Avon, o estudioso criticou o baixo grau de leitura nos dias de hoje.

“Informação na internet é que nem xixi na piscina – depois que entra, não tem mais como tirar”, comparou Gindre, que foi fortemente aplaudido pelo público.

O esquema de perguntas da plateia, entretanto, sofreu com falhas de organização e alguns espectadores ficaram sem seus questionamentos respondidos. O fato de várias perguntas diferentes, algumas delas extensas, serem respondidas juntas, fez com que os palestrantes escolhessem responder aquelas que lhes pareciam mais interessantes.

Como bem disse Siro Darlan, só faltava então o Grand Finale: o discurso de Franklin Martins. O atraso do jornalista foi rapidamente compensado por sua fala. Ele assumiu a mesa falando sobre a liberdade de imprensa, suas ameaças e limitações, as mudanças que ocorreram na profissão com o passar dos anos e a Internet como meio de comunicação.

“A Internet tem o papel de grilo falante para o jornal: incomoda mesmo, reclama, critica... Lá dá pra caluniar de graça!”, disse Franklin.

Com muitos flashes à sua volta, o jovem que foi curiosamente expulso da Escola de Comunicação da UFRJ, hoje Ministro, deu quase uma aula sobre a importância de se respeitar o público.

"Não existe crítico mais severo do que o leitor, o telespectador, o ouvinte”, afirmou.

Acreditando que seja melhor conviver com os excessos e deixar que a sociedade regulamente a imprensa, Franklin deixou o auditório sem esquecer de ressaltar o grande caldeirão de disputas e tensões que é uma redação, a internet e o meio jornalístico em geral.

Intercomeço

por Hanna Carvalho e Marianne Teixeira

A Escola de Comunicação, no dia 7 de maio, estava estranhamente vazia e cheia: os estudantes da ECO não estavam mais nas salas de aula; e caras novas foram vistas circulando apressadamente pelos corredores. Começava o Intercom Sudeste. A ECO, pela manhã dessa quinta-feira , foi palco para exposição de trabalhos de pós-graduandos e, à tarde, inaugurou as Divisões Temáticas e a Intercom Júnior.

Apesar de todo material fornecido aos participantes do evento, foi difícil entender a programação, o que dificultou o acesso rápido aos locais onde ocorriam as apresentações. Até mesmo os próprios alunos da faculdade, acostumados com as salas e prédios por onde passam diariamente, ficaram confusos. Os voluntários, por estarem muito atarefados, acabavam deixando os prédios que não estavam incluídos no mapa fornecido sem alguém para orientar os participantes perdidos.

Segundo Luis Henrique, um dos responsáveis pela produção do Intercom Sudeste , a função do setor de Extensão era apenas preparar o espaço para receber o evento. “A programação veio direto do Intercom [Nacional], tivemos até que corrigir alguns horários e salas em cima da hora.”

Finalmente na sala ou auditório escolhido, o cenário era outro: atenção total ao palestrante, fosse ele doutorando ou graduando. O respeito vinha de todos os cantos, do Espírito Santo a São Paulo, passando por Minas Gerais e chegando ao Rio de Janeiro. Como era de se esperar, algumas sessões de maior interesse, como a de Publicidade e Propaganda, encheram o local de apresentação, enquanto outras simplesmente eram preenchidas pelos próprios palestrantes.

Ao final da tarde, tudo já foi se encaminhando para a Conferência de Abertura e para o Oficom. Algumas sessões, como a de Comunicação, Espaço e Cidadania, ultrapassaram o tempo, levando ao conseqüente atraso da Oficina de Webativismo. No entanto, após um coquetel energizante todos já estavam novamente recarregados para os próximos eventos da noite que seguia.

Problemas técnicos não tiram o brilho do segundo dia

por Helena Santos, Marianne Teixeira e Nathalia Barbosa

Apesar dos problemas técnicos, o segundo dia do Expocom foi marcado pelo alto nível dos trabalhos apresentados. Foi mais um dia de sucesso e de troca de experiências no campus da Praia Vermelha.

Salas apertadas, ausência da equipe de organização do evento em algumas sessões e ruídos vindos do Pinel e de aviões foram as principais reclamações dos participantes. Enquanto o Palácio Universitário apresentava suas salas vazias, que poderiam acomodar o inesperado excesso de visitantes, os pequenos laboratórios da CPM estavam abarrotados de congressistas.

Ainda assim, o sucesso do evento parece estar garantido. A exposição de propostas bem sucedidas em diferentes faculdades estimulou o intercâmbio de conhecimento. Essa troca de experiências pode levar ao crescimento integrado, em nível acadêmico, que é o objetivo principal do Intercom.

É o que pensam as avaliadoras Patrícia Rebello e Simone do Vale. Segundo elas, o evento proporciona uma troca "bárbara" de conhecimento, além de permitir uma visão geral do campo da comunicação, expandindo a noção de concorrência para além dos muros da faculdade.

Divisões temáticas: a comunicação sob um viés artístico

Camille Perissé

O primeiro dia do Intercom Sudeste 2009 começou com muitas atividades. De manhã, houve exposição de trabalhos do Expocom e, de tarde, todas as salas foram ocupadas com as Divisões temáticas ou com Intercom Jr. – exposições de pesquisa dos graduandos. Pelo menos sobre a área artística, as DTs já contaram com duas sessões, cujo tema mais quente era as novas tendências das artes no mundo digital. Confira:


Sessão 5: Comunicação multimídia (coordenado pela artista Fernanda Gomes)

Flávia Campos Junqueira (FJF) comenta sobre a interatividade da arte contemporânea e como isso pode ser explorado com as novas mídias. Brasileiros famosos foram citados por serem pioneiros nessa tendência artística como Hélio Oiticica e Lígia Clark.

O trabalho de Diana Domingues, em que um robô em forma de cobra, com a propriedade de controle remoto, é colocado no serpentário do Museu de Ciências Naturais da Universidade de Caxias do Sul. Uma microcâmera inserida no corpo da cobra permite que participantes situados em qualquer parte do globo, pela Web, compartilhem a visão do animal, e experimentem conviver com as cobras reais do serpentário.

Júlia Pessôa Varges fala sobre a convergência entre mundos virtuais e sites de relacionamentos. "Second Life", "Kaneva", plataformas que possuem "avatares" e mudam os hábitos dos usuários. O virtual deixa de ser secundário. No Second Life, é possível que seu avatar contribua com uma instituição, sendo o valor descontado no cartão de crédito do usuário na vida real. "A hipermídia potencializa a realidade virtual", diz a pesquisadora. Plataformas como orkut tentam inovar e incorporam os avatares em seu site (Buddypoke). A tendência é convergir tudo no mesmo site (chat, avatar, mapas como google earth).

A sala era pequena, mas os participantes estavam interessados e, ao final, houve uma discussão sobre o objetivo desses sites ao convergirem. Um participante levantou a hipótese de o objetivo ser comercial, no intuito de o usuário despender cada vez mais tempo nesses sites.


Sessão 17: Comunicação audiovisual

Assim como a sessão 5, Raquel Timponi, da ECO, também fechou sua apresentação com o tema do impacto tecnológico, dessa vez na percepção cinematográfica. Raquel observa que os diversos gêneros cinematográficos estão mais mesclados e seguem, hoje em dia, uma narrativa não-linear. A sessão foi bem específica no setor cinematográfico, atraindo mais os interessados em audiovisual, que ficaram satisfeitos. O debate aconteceu no auditório da extensão do CFCH e contou com cerca de 30 participantes.

Apenas no final abriu-se espaço para perguntas e debate, o que gerou uma certa insatisfação nos participantes, que acabaram perguntando mais sobre os últimos temas. Entre outros assuntos, foram discutidas as novas interpretações na montagem dos filmes, principalmente nas adaptações de livros.

“É difícil adaptar um romance moderno sob uma perspectiva cinematográfica moderna, hoje chamada de alternativa”, defendeu Roberta Giannini, professora da PUC-Rio. “O filme pode não ter muita verossimilhança e as pessoas não compreenderem”. De acordo com a professora, o ideal é que, em sua adaptação, o diretor coloque um tom de criatividade, para que as pessoas não achem o "livro melhor que o filme". São mídias diferentes, com abordagens diferentes.